Igreja de São Gonçalo



 AMARANTE (Portugal): Igreja de São Gonçalo.

Fundado em 1540, o convento dominicano de São Gonçalo de Amarante foi construído no local onde se erguia uma pequena ermida medieval dedicada ao santo eremita. A edificação do cenóbio prolongou-se até ao reinado de Filipe I, e embora, numa primeira fase, a direcção das obra fosse atribuída a Frei Julião Romero, a feição maneirista que hoje apresenta o convento amarantino deve-se ao risco do arquitecto Mateus Lopes (RUÃO, 1995, p.24).
A primeira fase de obras situa-se entre 1545 e 1554, "embora seja difícil avaliar o que nesta década e mesmo na seguinte estaria feito" (Idem, ibidem). A obra seguia, assim, a um ritmo lento, e durante as décadas de 60 e 70 do século XVI, não se conhece qualquer referência documental ou cronológica à fábrica do convento (Idem, ibidem).
No entanto, em 1586 foi realizada uma vistoria nas obras do cenóbio, levada a cabo por Gonçalo Lopes, que substituía nessa tarefa o seu irmão, o arquitecto Mateus Lopes, "mestre da obra do bem aventurado São Gonçalo da vila de Amarante" (Idem, ibidem).
Nesta primeira vistoria verifica-se que estava praticamente concluída a capela-mor da igreja, faltando fechar a abóbada, bem como o primeiro piso do portal lateral e as paredes do templo. O lanço do dormitório, a sacristia, o refeitório e as suas dependências anexas estavam também edificados à data.
A estrutura do Convento de São Gonçalo apresenta evidentes semelhanças com os templos edificados pelos arquitectos Lopes tanto no Minho como na Galiza. A concepção destas "igrejas-padrão", em que se destacam as fachadas retabulares, começa com São Domingos de Viana, edificada no terceiro quartel do século XVI por João Lopes o Moço (OLIVEIRA, 2002, p. 113), e onde Mateus Lopes trabalhou durante alguns anos.
Será precisamente nas obras galegas de Mateus Lopes que este modelo atinge a sua maturação, nomeadamente em San Xoan de Poio, na Colegiada de Santiago, em Pontevedra, ou em San Martín Pinario em Compostela.
O claustro nobre de São Gonçalo foi inspirado na estrutura claustral do mosteiro de Poio (RUÃO, 1995, p. 26), e a fachada retabular, localizada num dos panos laterais do templo, teria originalmente a mesma concepção das fachadas de São Domingos de Viana e da Colegiada de Santiago (Idem, ibidem). No entanto, o projecto inicial foi alterado, uma vez que "os registos superiores são obra de outra época" (Idem, ibidem), tendo sido executados na centúria seguinte pelo arquitecto portuense Manuel do Couto.
No conjunto conventual destaca-se, ainda, a Varanda dos Reis. Rasgada no exterior do templo, ao nível do último registo do pórtico, este balcão foi, também, edificado por Manuel do Couto, apresentando nas pilastras de suporte dos arcos as estátuas dos reis que patrocinaram a construção do convento dominicano de Amarante (D. João III, D. Sebastião, D. Henrique e D. Filipe I).
Catarina Oliveira
IPPAR/2007

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