A sinagoga e a Comunidade Judaica do Porto

PORTO (Portugal): A sinagoga e a Comunidade Judaica do Porto.

A história da sinagoga Kadoorie está intrinsecamente ligada à história do seu fundador, capitão Artur Barros Basto, um oficial do exército português convertido ao Judaísmo e que se tornou um importante líder comunitário.
Tendo montado a sua vida no Porto, em 1921, o capitão tratou logo de reunir cerca de vinte judeus asquenazim naturais da Lituânia, Polónia, Alemanha e Rússia, recém chegados à cidade e que viviam do comércio. Estes não possuíam sinagoga, não estavam organizados e tinham que se deslocar a Lisboa sempre que, por motivos religiosos, era necessário.
Em 1923, foi registada oficialmente no Governo Civil do Porto a Comunidade Israelita do Porto. Da mesma faziam parte o capitão Barros Basto e as famílias asquenazim. O actual edifício da sinagoga só começaria a ser construído alguns anos mais tarde, mas a comunidade organizou-se e arrendou provisoriamente uma casa, na Rua Elias Garcia, que passou a funcionar como sinagoga.
Em 1929, Barros Basto reuniu fundos que lhe permitiram comprar um terreno na Rua de Guerra Junqueiro, onde a grande sinagoga Kadoorie Mekor Haim viria a ser construída. Foi então entregue na Câmara Municipal do Porto um requerimento para a obtenção do licenciamento necessário para início da obra e, poucas semanas mais tarde, foi colocada a primeira pedra e a construção iniciada.
O edifício revela uma fisionomia resistente e uma modernidade arquitectónica visível através da sua volumetria simples e despojada que muito revela sobre os seus arquitectos. O interior é decorado com letras hebraicas, contendo passagens da Torá complementadas por decorações de estilo marroquino-sefardita.
Segundo os documentos entregues na Câmara Municipal do Porto, aquando do pedido de licenciamento da obra, esta ficou entregue ao tenente Augusto dos Santos Malta, um arquitecto formado na Escola de Belas Artes do Porto. Alguns dos documentos estão assinados pelo arquitecto Arthur de Almeida Jr., o que sugere que o mesmo possa ter sido co-autor do projecto.
O Mestre Rogério de Azevedo poderá também ter tido intervenção directa na obra, mas apenas na parte final ou até mesmo nos acabamentos. Algumas partes do edifício, nomeadamente os traços de carpintaria da biblioteca, são muito similares a outras obras de Rogério de Azevedo.

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