terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Ruínas do Castelo de Montemor-o-Velho

MONTEMOR-O-VELHO (Portugal): Ruínas do castelo.

O lendário e valoroso Castelo de Montemor-o-Velho domina, do seu alto monte, a extensa e bela planície de arrozais do Baixo Mondego. Aqui se acolheram diferentes povos e culturas, existindo sinais materiais da passagem dos Romanos, como o testemunham alguns dos silhares de pedra integrados na base da torre de menagem desta fortaleza medieval. Vivendo os tempo conturbados das invasões bárbaras e, posteriormente, do mais calmo reinado visigótico, Montemor-o-Velho seria ocupada no século VIII pelos muçulmanos, que deixaram nesta região forte impressão da sua cultura. Reconquistada em 848 para as armas cristãs, através de Ramiro I de Leão e de seu tio, o abade João, este castelo do Baixo Mondego mudaria de mãos por diversas vezes até ao século XI. Numa dessas razias, a fortaleza foi particularmente afetada pela ação militar desencadeada pelo impetuoso exército árabe de Almançor. Em 1064, Fernando Magno reconquista, definitivamente, Coimbra e Montemor-o-Velho, avançando a linha da Reconquista Cristã até às margens do Rio Mondego. O governo militar desta região foi atribuído ao conde Sesnando, um moçárabe de Tentúgal. Arruinado e sem guarnição, o Castelo de Montemor-o-Velho seria restaurado por iniciativa de Afonso VI de Castela e Leão. Em 1095, a povoação recebia carta de foral, confirmada alguns anos mais tarde pelo conde D. Henrique. Restaurado e reforçado defensivamente, este castelo seria decisivo para suster os frequentes ataques árabes à região de Coimbra. Montemor volta a estar no centro da História portuguesa no decorrer do século XIII, quando o seu alcaide recusa prestar vassalagem a D. Afonso II, devido a desacordos testamentários entre este monarca e suas irmãs - D. Teresa e D. Mafalda - relativos à doação a estas do castelo. O conflito só foi sanado com a intervenção do papa. Este castelo do Baixo Mondego voltaria a ser pomo de discórdia nos conflitos que opuseram D. Sancho II e D. Afonso III, ou ainda na rebelião do infante D. Afonso, futuro D. Afonso IV, contra seu pai, o rei D. Dinis. A importância militar e estratégica deste castelo foi-se mantendo ao longo dos séculos. As suas grandes dimensões permitiram aquartelar mais de 5000 homens no seu interior e a chefia do castelo seria sempre exercida por proeminentes figuras da corte nacional.

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